sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

As Rodovias do Destino, As Asas Tecnológicas do Pranto, A Ascese do Místico

Dentre as calçadas, cachorros de raça, relógios da Apple, corredores

Com bonés e ciclistas ao lado do meio-fio, jovens e adultos com

Camisas e calças jeans, shorts de linho andam com chaves e 

Cartões de crédito. Rios e pontes, viadutos e postes, parques

Ecológicos e apartamentos em prédios de cinquenta andares.

Uma moça com uma bolsa de couro pendurada no ombro,

Vê o visor no vigésimo sétimo andar, ela está ansiosa, quase 

Em pânico, e sua mente visa chegar na residência da amiga

Para assistir no streaming um filme com fantasmas, mansões,

Bibliotecas e fazendas onde existem cabeças de cervos nas

Paredes, e fotografias, quadros de bacharéis de medicina, 

Engenharia e direito. No Instagram Nicole publica as fotos de

Veraneio, as danças modernas nas boates de Nova Iorque,

A música house e as luzes azuis, amarelas e vermelhas 

Piscando como relances de uma pintura abstrata, o Museu


De Arte Moderna, a Estátua da Liberdade antes as águas 

Calmas e o Central Park onde crianças brincam com 

Carros de controle remoto, tablets, video-games portáteis,

Adolescentes escutam através dos fones o pop, rock,

Rap e trap em piqueniques enquanto conversam sobre 

Reality Shows, séries da Netflix, hotéis em Los Angelis e 

Os novos nomes na calçada da fama. McDonalds, HBO 

E carros no dri-thru e televisões onde antigas películas 

Da Warner se dão em cores de projeção HD. Um jovem

Coleciona LPs e CDs, escuta Happiness is a Warn Gun do

Álbum Branco dos Beatles em sua vitrola enquanto 

Conversa com cueca com uma moça de lingerie, seu

Quarto tem um pôster de O Acossado, de Godard. Esta

Moça ele não conheceu no Tinder, mas em uma loja

Vintage de discos. No seu carro outro rapaz vai no cinema

Do Shopping com três amigos, todos tem companheiras,

Compram ingressos por cartão, e na tela com efeitos 


Especiais próximos da perfeição, um vampiro sai de um

Caixão dentre aquelas cadeiras vermelhas com algumas 

Pessoas consumindo pipoca. Um universitário ler

Byung-Chul Hang, os livros eram: A Agonia de Eros, 

No Enxame, Sociedade Paliativa; desiludido não quer 

Ir muito mais além do que dentro si, cansou das redes 

Sociais e não tem muita paciência para passeios em uma

Época de narcisismo e mentiras adaptativas. Uma pandemia,

As relações tóxicas dos que não conseguem ficar solteiros

Por comodismo com a realidade aparente, os computadores,

As empresas, as crises das finanças, bolsas e os fantasmas

Dos estudantes do cálculo diferencial integral, do espaço

Curvo de Einstein ante os cursos do tempo e energia, a luz,


Ou das mônadas de Leibniz, a fenomenologia de Hegel e a

Linguagem de Wittgenstein, ou das línguas germânicas,

De Shakespeare e Homero dentre os escombros das 

Guerras passionais do ser, todos estes eruditos com os

Óculos foscos, sentindo o terror de ir para o mundo das 

Formas sem a humildade dos santos. Será o destino

Implacável? Ou melhor, a fé, caridade, esperança, humildade

E amor são um alicerce sagrado onde o eterno se sobrepõe

                                                                        Ao tempo. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

As Cascatas, Pedras, Mananciais

As cascatas, as pedras, o azul fluído da memória, trago em mim

As cinzas do destino de Eros. Cervos, navios, galerias de arte

Traduzindo celulares em pias, meninas em parque aquáticos

Sorrindo enquanto as noites de insônia há três anos vedavam 

Para sempre o que as posses e intelecto não poderiam

Comprar. Terra nutrida de mulatos, caboclos, negros, o

Pelourinho, os morros, engenhos, senzalas e os cursos de

Direito, medicina e escolas de engenharia enquanto os 

Jornais dissecavam o oiro português legado a metrópole.


Nossas percas não são simplesmente ausência, se tornam

O fado das fortunas vazias que caem, pois não foram os 

Ricos estimados em último grau pelo Redentor, mas os 

Pobres, as lágrimas salgadas dos com fartas contas 

Bancárias gemem solitárias onde paisagens forasteiras 

Não podem comprar a caridade não esquecida. Sair dentre

Aviões, cruzar a Ponte do Brooklyn e se lembrar das 

Ofensas contra o próximo, de estar em uma cobertura e 

De chorar dilacerado por priorizar os bens e o saber acima


Da pessoa humana. Pã poderia tocar sua flauta, as ovelhas

Seriam levadas pelo seu pastor, alguém cujas mãos são 

Macias e cuja Igreja é um coração sensível e terno de 

Origem e vivência provinciana, alguém que nunca usou o

Que obteve para ferir o outro. A manhã fala uma linguagem

Úmida no caos da morte rarefeita sem a presença divina,

Pois sem a possuir, somos pessoas ocas que desfilam na

                Agonia da vaidade das trajetórias que se perdem.

sábado, 20 de dezembro de 2025

A Serração Ardente da Subjetividade Dos Teus Olhos

Os castelos, arranha-céus e os vampiros urbanos, estrelas 

Esfriando e moças virgens tendo colapsos nervosos ao lado

Das ribeiras dos rios. Como as onças em busca de presas,

O ouro e as rodovias trazem consigo contas em banco e 

Solidões impactantes. O leito solitário do jovem burguês, 

Os ídolos ricos e inteligentes dentre labirintos e cinzas de

Cigarros com rastros de câncer, ou de isolamento após 

O preço do orgulho saturar a mente e o corpo em 

Neurastenia ante o eclipse da paisagem em colapso.

Meninas andam nos pastos verdes, levam consigo livros,


Revistas sobre amor platônico, existencialismo, cubismo,

Futurismo e os rapazes em suas caminhadas olham para 

Elas com o peso das crianças acorrentadas pela

Propriedade privada, dentre árvores elas aparentavam

Estar livres e a prata evoluiu para a fotografia de um 

Horizonte perdido. Tupinambás, celtas, angolanos e 

Normandos em guerra, os carros passam na frente da

Fazenda, os canaviais já estão fartos, a cana geme a 

Dor histórica. O eterno retorno e a ânsia sofredora de 


Pessoas sensíveis em ruas de Higienópolis, Manhattan

E Paris, turistas perdidos em pedras e vidraças modernas,

O bem adormece no princípio do prazer, e a febre tem a 

Cor dourada de um sonho ante o sono azul. Só Deus tem 

As respostas de um universo ermo onde o adulto redescobre

Seu paraíso na primavera da caridade delicada do início 

                             Da fonte, cujo manancial são as

                                   Luzes indivisíveis do Espírito Santo. 

domingo, 23 de novembro de 2025

Moradas Tardias de Um Rio Despercebido

Se preparar, o rio e o sangue diluído, a febre, o poder e ouro.

Árvores, gramados e crianças livres com video-games de 

Modelos novos, jogos com violência gráfica de geometria

Espacial implacável e a liberdade para falar o que dar na 

Telha. Terços e rosários inexistentes em casas, educação

Comercial, competição e pessoas medidas como coisas.

Paisagens contempladas, destinos externos, passagens 

De viagens e a interioridade relegada ao precipício. 

Pessoas humilhadas, surradas por palavras que carregam


Lâminas como facas. Sarcasmo, espírito cosmopolita, 

Qualquer mínima conquista é motivo para se considerar 

Mais que o outro, e às vezes a ilusão é grande o suficiente

Para não sofrer. O mesmo Cristo passa a ser crucificado

         Desde a aurora até depois da madrugada. Paixões 

Vazias, o aumento da natalidade e a demanda de pessoas

Se adaptando ao individualismo, consumo, exibicionismo


Digital em enxame. Os santos sentem o peso do mundo 

Ignóbil, a loucura é maior que a adaptação a uma sociedade

Vã, os desatinos que aparecem na época de relações

Líquidas permitem o auto-conhecimento em gerações de 

Fantasmas que se alegram com festas, passeios e parvoíces.

Se o divino existe ele aparece de verdade no existencialismo

Que burila a essência dos que se permitem arder para serem

                                                                                   Humanos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O Sonho Alado da Simplicidade

O sonho alado do destino, meninos brincando com trens em circuitos 

Lúdicos, o fluxo dos passageiros e das chegadas, carvão, crianças, 

Malas com fotografias, estudantes, sonhos e ciladas. O inverno 

Ante aos salgueiros e elmos traduz nas ovelhas de lã avultada

Uma visão de uma Arcádia alegórica e ao mesmo real. Reinos e 

Soldados, repúblicas e exércitos, raptos, distância e relevos


Emocionais caóticos. Os príncipes e os pequeno-burgueses, 

A angústia de uma época não tão nova com estes últimos, 

A música, a juventude e os apegos traduzidos em arroubos.

O mundo é uma terra de guerra por oportunidades, ganhar e 

Acomodar-se na mentira de uma vida solitária e individualista.


Preparar infantes para vestibulares, passeios e gostos estéticos.

Ecos de loucura onde a gravidade chama os apartamentos 

Para o calor da superfície da terra, dilacerada. O sonho e o lucro

Juntos simbolizam tragédia, a pobreza nos foi legada por Cristo,

Os passionais com seus objetivos são sofredores insatisfeitos 

Consigo mesmos, pois a misericórdia e a justiça são os bálsamos

   Dos que negam o aparente e se doam como criaturas de Deus.

A Subjetividade Terna, As Crateras Lunares, O Cordeiro da Primavera

Os teus olhos, quais as crateras lunares para Galileu, a alavanca de

Arquimedes, a tua íris envolta no mistério profundo onde as linhas 

Passionais da vontade trazem consigo castelos, pestes onde povos

Correm dilacerados e templos mais remotos, onde o animismo 

Existia dentre a grama, sonho e solidão da liberdade dos Deuses

Passionais. Talvez o fado dos dias bucólicos no ouro desconhecido

Dos nativos deste continente esconda conosco uma dor entre a


História, os mitos e a tristeza angular do que está além do mundo 

Físico. O amor dilacera a pessoa humana, o poder que escraviza e

Adoece está entranhado no sofrimento psíquico, na medida em que 

Caímos, somos, e ao subir tudo está na grandeza da queda. 

Os dias tristes trazem o alento filosófico do sentimento do universo


Onde há um Deus que excede a violência inata de uma espécie 

Primitiva. A tenra expressão de uma melancolia feminina, qual

O véu da Mãe de Deus que sofre ao ver o filho, mas sabe que 

Ele ressuscitará, pois aqueles que se fazem pobres e sublimam

Suas sombras, são aqueles que amam, ainda que menores, 

Pois o Redentor não tinha sombras, mas deixou-nos perene a 

                                                                 Constância de sua luz. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

O Destino Envolto no Veludo Azul da Memória Purgada

O destino incolor do útero azul do destino desconhecido, as cicatrizes

Da alma recolhida. Os teus olhos exprimem a emancipação dos meus 

Dias solitários, Aquiles e Peleu estão ermos deste mundo de guerras e

Raptos, os sonhos traem a pureza em um mundo onde os amores são

Transitórios e contratos se quebram como taças de cristal quando a 

Vontade irracional não alcança o divino. As árvores, beleza e sono, 

Minha existência é tão fugaz quanto o tormento dos ecos de quem


Foge das aves de rapina durante a caça, pois as certezas de ontem 

Estão abaladas, a convicção na paixão e apego decaem, buscar a 

Verdade e ir ao mundo, é provar a amargura de que o sistema de 

Nossa sociedade é traidor. Se um dia pudéssemos ver além dos

Afetos frustrados e garantias externas, a terra poderia gemer e a 

Vida não estaria abatida, talvez a ternura materna de um afago 

Dócil traga a verdade ante as pelejas de quem está com a razão.

Só Deus tem mãos permanentes na finitude do fado daqueles que 

                                                                                             Sentem.