A cor vermelha e azul de dois sóis, o pai, filho e espírito santo em
Cada núcleo de calor e luz onde orbitam planetas. A maça do Éden,
A queda nas sombras de toda criança. Riquezas que piratas roubam
Em nome da civilização. O vinho em que o divã é insuficiente para
Curar a neurastenia, pois seu efeito traz o eco de Dionísio dentre
Rajadas de vento que o homem moderno não escapava, mas se
Sentia livre. A Igreja, Satã, o relógio, três quartos do sono em desejo,
Ambição, status e uma noção primitiva de amor, desfalecer em
Ansiedade é o destino do eu-lírico dentre filas de cinema esperando
Encontrar em tenso suspense alguém que do passado que hoje
Quer atacá-lo com jogos de poder. A febre dos macacos dentre
Cipós, leões tendo atos lascivos com fêmeas sem afeto. Bananas,
Violência, jacarés, cobras, e cervos correndo quase como automóveis
De Fórmula 1. Bolas de futebol, Circo du Soleil, heróis de guerra com
Medalhas, apostas, multimilionários. Um céu opaco, montanhas,
Encostas, serras, zonas da morte e fantasmas onde barcos levam
Almas dentre paixões e doenças psíquicas. Pernalonga engana
Patolino, este último almeja estar no televisor, e o coelho cinza
Tende por a ponta do indicador na espingarda de gaginho,
Deixando desarmado. Aplicativos de IA, pesquisas imediatas,
A solidão da modernidade e a consciência de que todo amor
Frustrado carrega feridas de agressividade que a espiritualidade
Faz de adubo para o sonho da pessoa erma dentre cactos,
Solos temporariamente inférteis e a descoberta da miséria
Interior.
O irmão invejoso almeja o título do rei, dentre caranguejos,
Cálculos sem aplicação na realidade imediata, os jovens humilham
Uns aos outros em prol de boletins. Na avenida da rua, próxima a
Um beco uma prostituta usa o smartphone e um homem de posses
A convida para o carro. Os pais de um adolescente frugal viajam
A negócios e a farra vai até de manhã com tempero de fruto
Proibido. A infância e para além das árvores, prados e ervas,
A perseguição daqueles que orbitavam o mesmo desespero
Por um futuro para provar a superioridade através da crueldade
E infâmia. O último Cristão morreu na Cruz, filhos inseguros em
Famílias religiosas sedentas de sucesso, explosões de astros
Estrelares em buracos negros, incertezas e sombras. O divino
Ainda reside nos simples, humildes e de coração pobre, tais
Arderam para ser, atravessaram o inferno do materialismo,
Porém venceram o comodismo e possuem a dor de seguirem
A verdade.
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