Amarguradas e sonhos dourados em alta estirpe solitária.
Desenhar os rascunhos paralelos da infância e adolescência
Tardia, sono entre o ser, tempo e os olhas castanhos perdidos
Dentre cálices de vinho, paisagens e seduções de um amor
Fracionado em uma vulnerabilidade aparente. Para desandar
A miséria, passar pelo turismo lucrativo, os aperitivos
Tecnológicos de última ponta, conhecer a mitologia
Greco-romana, estudar por alto a física em idéias básicas,
E ver a reação primitiva de macacos e bactérias dentro de
Mim. Como os povos nativos de um continente distante
E seus totens, paixões proibidas e fantasmas que voltam
Enquanto nascem poetas.
Sacrificar a identidade, ver no espelho o reflexo de um rosto
Que poderia ser julgado belo em um passado distante. E ver
Almas de pessoas negras grávidas pela agressividade de
Coronéis e filhos nepotistas, fazendo brisas como criados
Mudos para quem consome artigos da Europa. Uma
Manjedoura, uma criança faminta, um curso de inglês,
O Pateta e a suposta superioridade intelectual dos que
Frequentam museus. A falta de uma carne que expurgou
A miséria em crises profundas, a celebração das festas
Vazias. Mergulhar dentro de si mesmo é o maior ato de
Ousadia que o existencialismo pode levar para quem
Arde de uma ansiedade que a adaptação a este mundo
Não concede. Estar em risco diante da própria
Subjetividade, desafiar a própria sanidade, amar sem
Ser amado e ver tudo cair para o espírito levantar e
Vir a se ver profundamente humildado. Fotografias vãs
Onde a burguesia é feliz por pouco em uma postagem
Morta de caridade além do espaço doméstico.
Feridas em toda parte, os atributos de Deus estão nos
Mansos, não serão os que ostentam que sobreviverão
A si mesmos, serão os pobres de espírito, aqueles sujos
Que conseguem ser puros, porque choram enquanto
O mundo se exibe, simplesmente porque ardem na
Angústia de ver Deus onde existem os desamparados
De hoje, ontem e de um sempre que se fará eterno.