segunda-feira, 26 de outubro de 2026

As Pétalas que Desandam, O Jardim da Alma que Vive

Pelas pétalas sagradas que não desandam no luxo, lágrimas

Amarguradas e sonhos dourados em alta estirpe solitária.

Desenhar os rascunhos paralelos da infância e adolescência

Tardia, sono entre o ser, tempo e os olhas castanhos perdidos

Dentre cálices de vinho, paisagens e seduções de um amor 

Fracionado em uma vulnerabilidade aparente. Para desandar 

A miséria, passar pelo turismo lucrativo, os aperitivos 


Tecnológicos de última ponta, conhecer a mitologia 

Greco-romana, estudar por alto a física em idéias básicas,

E ver a reação primitiva de macacos e bactérias dentro de 

Mim. Como os povos nativos de um continente distante

E seus totens, paixões proibidas e fantasmas que voltam

                                                     Enquanto nascem poetas.


Sacrificar a identidade, ver no espelho o reflexo de um rosto

Que poderia ser julgado belo em um passado distante. E ver

Almas de pessoas negras grávidas pela agressividade de

Coronéis e filhos nepotistas, fazendo brisas como criados 

Mudos para quem consome artigos da Europa. Uma 

Manjedoura, uma criança faminta, um curso de inglês,

O Pateta e a suposta superioridade intelectual dos que

Frequentam museus. A falta de uma carne que expurgou


A miséria em crises profundas, a celebração das festas 

Vazias. Mergulhar dentro de si mesmo é o maior ato de 

Ousadia que o existencialismo pode levar para quem 

Arde de uma ansiedade que a adaptação a este mundo 

Não concede. Estar em risco diante da própria 

Subjetividade, desafiar a própria sanidade, amar sem

Ser amado e ver tudo cair para o espírito levantar e 

Vir a se ver profundamente humildado. Fotografias vãs

Onde a burguesia é feliz por pouco em uma postagem

Morta de caridade além do espaço doméstico.


Feridas em toda parte, os atributos de Deus estão nos

Mansos, não serão os que ostentam que sobreviverão

A si mesmos, serão os pobres de espírito, aqueles sujos

Que conseguem ser puros, porque choram enquanto

O mundo se exibe, simplesmente porque ardem na

Angústia de ver Deus onde existem os desamparados 

De hoje, ontem e de um sempre que se fará eterno.

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