sábado, 24 de outubro de 2026

A Moderna Sensação de Que O Tempo Não Se Fragmentou

Então, vem a noite com suas estrelas dispersas, mundos, satélites,

A cor vermelha e azul de dois sóis, o pai, filho e espírito santo em

Cada núcleo de calor e luz onde orbitam planetas. A maça do Éden,

A queda nas sombras de toda criança. Riquezas que piratas roubam

Em nome da civilização. O vinho em que o divã é insuficiente para 

Curar a neurastenia, pois seu efeito traz o eco de Dionísio dentre

Rajadas de vento que o homem moderno não escapava, mas se 

Sentia livre. A Igreja, Satã, o relógio, três quartos do sono em desejo,

Ambição, status e uma noção primitiva de amor, desfalecer em

Ansiedade é o destino do eu-lírico dentre filas de cinema esperando

Encontrar em tenso suspense alguém que do passado que hoje 

Quer atacá-lo com jogos de poder. A febre dos macacos dentre 

Cipós, leões tendo atos lascivos com fêmeas sem afeto. Bananas,

Violência, jacarés, cobras, e cervos correndo quase como automóveis

De Fórmula 1. Bolas de futebol, Circo du Soleil, heróis de guerra com

Medalhas, apostas, multimilionários. Um céu opaco, montanhas,


Encostas, serras, zonas da morte e fantasmas onde barcos levam

Almas dentre paixões e doenças psíquicas. Pernalonga engana 

Patolino, este último almeja estar no televisor, e o coelho cinza

Tende por a ponta do indicador na espingarda de gaginho,

Deixando desarmado. Aplicativos de IA, pesquisas imediatas,

A solidão da modernidade e a consciência de que todo amor

Frustrado carrega feridas de agressividade que a espiritualidade

Faz de adubo para o sonho da pessoa erma dentre cactos, 

Solos temporariamente inférteis e a descoberta da miséria

                                                                                       Interior.


O irmão invejoso almeja o título do rei, dentre caranguejos,

Cálculos sem aplicação na realidade imediata, os jovens humilham

Uns aos outros em prol de boletins. Na avenida da rua, próxima a

Um beco uma prostituta usa o smartphone e um homem de posses

A convida para o carro. Os pais de um adolescente frugal viajam

A negócios e a farra vai até de manhã com tempero de fruto 

Proibido. A infância e para além das árvores, prados e ervas,

A perseguição daqueles que orbitavam o mesmo desespero

Por um futuro para provar a superioridade através da crueldade

E infâmia. O último Cristão morreu na Cruz, filhos inseguros em

Famílias religiosas sedentas de sucesso, explosões de astros

Estrelares em buracos negros, incertezas e sombras. O divino

Ainda reside nos simples, humildes e de coração pobre, tais

Arderam para ser, atravessaram o inferno do materialismo, 

Porém venceram o comodismo e possuem a dor de seguirem

                                                                                     A verdade.